Sei que eu prometi contar as coisas que me aconteceram profissionalmente nesse tempo todo, mas hoje eu não vou conseguir. Não vou conseguir por um motivo bem simples. Estou chocada. chocada com o mundo, com as pessoas e com a "vida moderna".
Parece que todo dia uma coisa mais chocante acontece, todo modismo é aprendido remodelado e reproduzido. Assim como em Columbine, o Brasil agora também pode se "gabar" de ter um atirador que causou um massacre em um escola (tá, tudo bem, lá eram dois adolescentes e aqui apenas mais um desmiolado qualquer).
Mas as coisas se repetem em todos os sentidos sempre: as pessoas vêm as notícias e sempre comentam chocadas o que acontece e, pouco tempo depois, alguém repete o ato trucidante e atróz e todo mundo se lembra do passado e comenta por mais uma semana.
Essa coisa toda me choca sabe?! É como se as pessoas vivessem em uma dormência, uma espécie de latência idiota, até que um fato cruel e chocante se repete, desse ponto em diante todas as celebridades comentam como se fosse a última árvore do planeta caindo ou sendo queimada. Uma semana depois tudo é novamente relegado ao passado.
Hoje o Twitter me enjoou! Não tinha um famoso que não estivesse comentando o caso do atirador do Rio de Janeiro, todos comentaram como se tal fato tivesse inexoravelmente mudado o rumo das vidas deles, mas o que mais me enjoou é que nenhum deles vai deixar de ganhar dinheiro amanhã, nenhum deles vai doar o cachê do mês inteiro para uma fundação em nome das vítimas e nenhum deles vai deixar de dormir pelo fato.
Em compensação famílias foram afetadas e algumas talvez não sobrevivam depois disso. Fico eu aqui na minha insignificância tentando dimensionar, por exemplo, como eu me sentiria se eu fosse uma das mães que perdeu um filho hoje. Imagino se seria pior para uma mãe de filho único ou para uma mãe e sua numerosa prole, seria ainda pior se ela fosse divorciada e tivesse a guarda compartilhada?
E depois de todas essas conjecturas eu me dou conta que nunca saberei ou jamais serei capaz de dimensionar tal sofrimento por um simples fato: eu não sou mãe e até hoje não sinto nenhuma pressão do meu "relógio biológico" nesse sentido (nem mesmo sei se ele existe).
Esses fatos me puseram a pensar numa série de outras coisas e compartilho meus pensamentos.
Passava eu de carro, há dias atrás, por uma faculdade de Pelotas (um dos campos da UFPel, aquele que fica no Fragata, do lado do quartel sabem?!) as pessoas da minha cidade sabem de qual campus eu falo e quais cursos tem sede ali mas, digamos assim, ali fica o curso mais disputado no país, o curso dos sonhos da maioria dos vestibulandos.
Naquele lugar estão as pessoas que num futuro, não muito distante, estarão tomando as decisões mais críticas sobre cada mínimo detalhe relacionado ao nosso organismo e ao seu funcionamento perfeito.
Bom, naquele dia um fato me chamou atenção, esperava que as futuras senhoras bambambans da área da saúde fossem pessoas mais determinadas e mais independentes e, ali naquele dia, presenciei uma das cenas mais intrigantes da minha vida: saiu um grupo de 6 moças (nenhuma delas com menos de 20 anos) e todas usavam o mesmo modelo de óculos escuros, cada uma a sua maneira vestia o mesmo estilo de roupas e, mesmo tendo um rápido vislumbre do grupo, acredito ainda que 3 usavam o mesmo modelo de jeans e 4 estavam com o mesmo calçado.
Esse fato me chamou atenção pois pude perceber que a maior preocupação de todas elas, pelo visual da cena, não era com as veias artérias e outras estruturas vitais de nossos frágeis organismos e sim com a moda.
Visto que o conjunto de vestuário de todas em muito lembrava o da personagem da novela das 6 horas, todas elas tem tempo de saber o que é vanguarda e quais erros de moda não se deve cometer.
Essa foi a intriga que me surgiu: quando o mundo ficou fútil assim?
Essa é a pergunta que não se cala na minha mente!
Será que um dia uma delas vai ter voz de contrariar o senso comum no melhor intuito de salvar a minha vida (ou a de vocês leitores) ou elas vão ficar de boca calada pois não é moda discutir e ter um ponto de vista forte?
Eu não tenho mais assunto por hoje! E quem me achar errada que me corrija, adoro críticas portanto não deixem nunca de me apontar pontos de vista divergentes!
Boa noite e bons ventos!